Junho 15, 2009
There’s no life outside academia
Abril 28, 2009
Daysleeper…
Sou um ser da madrugada. Pelo menos quando se trata de atividades intelectuais. Quem faz mestrado, estuda ou algo parecido sabe que a atividade de abstrair teorias e produzir conhecimento é deveras complicada e demanda silêncio, concentração e desapego do resto do mundo. Pois é, pobre do cristão que tenta fazer tudo isso durante o dia. E eu, ingenuamente tentei.
No último feriado, tive a ilusão de que conseguiria compreender um texto imensamente abstrato e denso durante a tarde. Doce engano. Uma vizinha resolveu compartilhar com o resto da população da quadra a sua discografia do Djavan. O outro, resolveu fazer a festa de aniversário do filho. Isso sem contar a construção ao lado aqui de casa, que pelo jeito não fez feriado, e seguiu com suas marretadas, serras malditas e misturadores de cimento.
Nesses momentos, preciso citar Antonio Prata:
“Eu trabalho madrugada adentro, justamente por causa do silêncio. Às três da manhã, a Tim não me liga para oferecer planos, a Mastercard não me avisa que minha conta está “há 26 dias em aberto, senhor”, as pamonhas de Piracicaba dormem tranqüilas em alguma garagem da cidade e eu posso pegar as palavras pelas mãos ou pelos cabelos, conforme a necessidade, e agrupá-las em diferentes caixinhas, sobre a minha mesa.”
Pois é. Pelo visto, assim como a monografia que foi escrita sempre da meia-noite às 6h, a dissertação vai seguir o mesmo ritmo. Excetuando os dias em que preciso acordar cedo por causa dos compromissos da manhã, vou criar um mundo paralelo na madrugada, algo como “Stefanie no país da dissertação”.
Abril 22, 2009
De coração aberto…
Passei a última semana com uma sensação esquisita ao longo dos dias. Como expliquei para uma amiga, era como se fosse uma tristeza presente na atmosfera, da qual não se pode escapar. O ar fica mais pesado, os dias ficam mais tristes e a natureza menos colorida. No sábado, como que por um milagre, acordei cedo para (pasme!) faxinar. A sensação no ar ainda era a mesma ou talvez um pouco pior. Sábado estranho aquele. Lembrei muito do Chefe ao longo da manhã. Até a hora em que tentei colocar uma música gaúcha para ouvir. Não deu. Ainda não estou pronta para ouvir César Oliveira e Rogério Melo sozinha em casa.
Mas foi com o passar das horas que fui me dando conta de que aquilo não estava certo. O Ceratti jamais ia querer ver alguém triste daquele jeito e ele, mais do que qualquer um, era exemplo de como levar a vida tranquilamente e da forma mais alegre possível. Foi aí que abri o blog da Taty, que escreveu um post simplesmente fantástico sobre isso. A Taty disse tudo que eu precisava ouvir. É chegada a hora de enxugar as lágrimas e lembrar da lição de vida que o Chefe deixou pra gente.
Como ela disse, uma semana antes de ele partir estávamos no casamento de um amigo, extremamente felizes e celebrando a nossa união, amizade e eternidade. E é exatamente da forma como a gente estava aquele dia que deveríamos aprender a levar a vida. Unidos, felizes e otimistas. Da vida só levamos nosso aprendizado, nossas experiências, nossas vivências. Isso ninguém nos tira e é por isso que a vida vale a pena. Da vida a gente leva o amor que dá. Amor esse que sempre volta, da forma mais bonita possível.
Para encerrar o sábado, ainda assisti The Bucket List (Antes de partir) com o Jack Nicholson e o Morgan Freeman. O filme não é o bicho, mas o bacana é a mensagem que um amigo deixa para o outro no final. O Morgan Freeman diz várias vezes “Find the joy in your life”. E é exatamente nisso que a vida se constitui. Encontrar a felicidade na vida da gente. O resto são coisas pequenas e por serem pequenas não merecem ter importância. No filme, Morgan ainda diz, falando sobre seu amigo: “tenho certeza de que quando morreu, ele estava com os olhos fechados, mas com o coração aberto”.
Tenho certeza de que o Ceratti também estava de coração aberto. Porque foi assim que ele levou a vida dele. E é assim que a gente deve levar a nossa: de coração aberto. Por isso, chega de tristeza, de ar pesado e tudo o mais. Entendi a mensagem, Chefe. Pode deixar que eu sigo o caminho com a tua lição sempre presente ;).
Abril 15, 2009
Life’s just a ride…
Este moço me mandou esta música para ajudar na caminhada de agora em diante. A letra é tão perfeita que merece ser compartilhada. A cantora é a Jem e a música chama-se Just a Ride, para quem quiser procurar e baixar.
Life, it’s ever so strange
It’s so full of change
Think that you’ve worked it out then BANG
Right out of the blue
Something happens to you
To throw you off course
and then you
Breakdown
Yeah you breakdown
Well don’t you breakdown
Listen to me
Because
It’s just a ride, it’s just a ride
no need to run, no need to hide
It’ll take you round and round
Sometimes you’re up
sometimes you’re down
It’s just a ride, it’s just a ride
don’t be scared
don’t hide your eyes
It may feel so real inside
but don’t forget it’s just a ride
Truth, we don’t wanna hear
It’s too much to take
Don’t like to feel out of control
So we make our plans
Ten times a day
And when they don’t go
our way we
Breakdown
Yeah we breakdown
Well don’t you breakdown
Listen to me
Because
It’s just a ride, it’s just a ride
no need to run, no need to hide
It’ll take you round and round
Sometimes you’re up
sometimes you’re down
It’s just a ride, it’s just a ride
don’t be scared
don’t hide your eyes
It may feel so real inside
but don’t forget it’s just a ride
Slowly, oh so very slowly
Accept that
there’s no getting off
So live it, just gotta go with it
coz this ride’s, never gonna stop
Breakdown
Don’t you breakdown
No need to breakdown
No need at all
Because
It’s just a ride, it’s just a ride
no need to run, no need to hide
It’ll take you all around
Sometimes you’re up
sometimes you’re down
It’s just a ride, it’s just a ride
don’t be scared now
dry your eyes
It may feel so real inside
but don’t forget enjoy the ridet
Abril 12, 2009
Até logo Chefe…
Este blog não é atualizado há quatro semanas. E eu abdicaria de todas as atualizações futuras para não ter que escrever esta aqui. Mas é o mínimo que eu posso fazer para homenagear uma alma tão boa que passou por este mundo deixando muita luz e alegria. Hoje o jornalismo gaúcho perde um profissional fantástico, o Internacional perde um colorado fanático, os pagos deste rincão perdem um autêntico gaudério… e eu perco um amigo.
Meu colega, meu amigo, meu eterno chefe, Ricardo Ceratti foi requisitado por São Pedro para cuidar dos pagos de lá de cima. Um guri que tinha um coração tão grande e tão bom que não cabia dentro dele. Incapaz de fazer mal algum a qualquer criatura terrestre e capaz de ajudar quem fosse preciso de todas as formas possíveis. Acho que por ser bom demais e iluminar o mundo de uma forma tão grande, o Ceratti cumpriu a missão dele rápido demais e acabou deixando este buraco no coração da gente.
Só consigo lembrar dele com um sorrisão no rosto. E só tenho que agradecer a Deus por ter tido a oportunidade de conhecer um amigo tão bacana. Porque pra sempre eu vou chamá-lo de Chefe, pra sempre ele vai ser o editor desta repórter de polícia que brincava quando eu catava alguma bomba na ronda bem na hora do fechamento, pra sempre ele vai ser o cara que explica sobre carros, sobre churrasco, sobre o blefe no truco e sobre como trocar o pé na hora de dançar o chamamé.
Queria dormir agora e acordar amanhã com o telefone tocando, o Ceratti rindo da minha cara, dizendo que tudo isso foi um grande pesadelo, que o costelão já tá no fogo, a cerveja já tá gelada e o Luiz Marenco já está tocando pra animar o churrasco. Mas se não der, se eu acordar e a tristeza continuar aqui, mesmo assim vou ter a certeza que o Chefe está bem, cuidando dos pagos superiores, organizando a cavalgada celestial e esquentando a água do mate lá de cima. O Patrão do CTG lá de cima vai estar muito bem acompanhado, a gente que vai ficar bem sem chão por aqui.
Vai com Deus meu amigo. Até logo.
Sossego, um cusco e um bom mate, o meu galpão é assim
De vez em quando a guitarra canta saudades pra mim
Fazendo a alma encontrar-se com os que mateavam aqui
Dispersa encontra os amigos que o tempo diz que perdi.
E a madrugada se estende querendo já não sair
Esqueço o mundo do campo e toco pra alguém ouvir
Sentido das minhas mãos, sonoridade e feitio
Destino da minha alma, lembrar alguém que partiu
Silêncios eu já não quero e se preciso for, eu invento
Hoje um assobio fez milonga enquanto eu tirava um tento.
A mão de cordas e couros quando precisa se agarra
Rude, trançando uma rédea, mansa, ponteando a guitarra.
(Luiz Marenco – Milonga pra quem partiu)
Março 13, 2009
Qué lástima pero adios..
“¿Por qué no supiste entender a mi corazón? Lo que había en él..
¿Y por qué no tu viste el valor de ver quien soy?
¿Por qué no escuchas lo que está tan cerca de ti sólo el ruido de afuera y yo, que estoy a un lado desaparezco para ti..
por eso me voy, qué lástima pero adiós..
me despido de ti y me voy”
certas músicas são tão fantásticas que falam por si só…
essa moça… a Julieta Venegas… é bem sabida… ouve só .. vale a pena baixar todo o acústico dela…
Março 9, 2009
Dia internacional e essa coisa toda…
Hoje (é madrugada de segunda, mas eu não dormi ainda, então é domingo, ok?) é o dia internacional da mulher… so what, eu me pergunto?
Já li milhares de textos na rede sobre o significado da data, sobre como as mulheres ainda precisam lutar por valorização na sociedade, sobre como ainda não alcançamos a igualdade entre os sexos. Tudo verdade. Mas nada que me faça levantar da cadeira.
Não levanto porque a minha parte faço todos os dias. Nós mulheres independentes, que moramos sozinhas, nos sustentamos, abrimos vidros de conserva, trocamos resistência, pagamos contas e nos viramos sempre nas mais difíceis situações, sabemos o quão difícil é ser mulher, forte e feminina nesta sociedade machista. Por isso nosso feminismo. Por isso as constantes lutas.
Mas nada vai mudar enquanto existirem por aí as mulheres que não se dão valor. Que se comportam como objetos. Que tiram a roupa na televisão por meia dúzia de trocados porque é mais fácil do que exercitar o cérebro. Que são altalmente machistas e acham que o homem precisa sempre estar no comando e tomar a iniciativa de tudo. Que não sabem ser felizes sozinhas. Que colocam na “busca pelo príncipe encantado” o sentido das suas vidas. Ou então, que não sabem se divertir numa saída sem encontrar alguém para ficar. Que não sabem valorizar as amizades femininas e vivem em eterna competição. Que acham o fim ter uns quilinhos a mais. Que não se amam. Diante das “mulherzinhas” o dia de hoje, pra mim, acaba sendo em vão. Não passa de uma desculpa pra ganhar um chocolatinho ou uma rosa no shopping.

E sinceramente, eu trocaria o chocolatinho, a rosa e as felicitações por um bom abraço e um cafuné. De alguém que me valorizasse, respeitasse e admirasse como mulher e como pessoa. Pelo que eu sou, do jeito que eu sou.
Simples e fácil assim. Porque o mundo, a sociedade e as relações entre homens e mulheres não precisam ser complicadas ou competitivas. Precisam sim, ser saudáveis e divertidas. E porque no fundo, mulher gosta muito é de carinho e respeito verdadeiros.
Março 8, 2009
A dream became true
Foi tudo e mais um pouco. A realização de um sonho. A trilha sonora de uma vida sendo tocada ao vivo na minha frente pela mulher que até hoje me provoca muitas emoções. Foi catarse pura. Minha e dela. Foi a certeza de que ela continua a mesma. A mesma performance. A mesma energia. Os mesmos sentimentos. A mesma sensação de que nossos conflitos e dilemas são compartilhados e que a gente pode sim cantar tudo isso bem alto pra todo mundo ouvir. Saí do show com a sensação de ter morrido e alcançado o nirvana. Sem acreditar muito no que tinha acontecido, mas com a certeza de que foi um dos melhores momentos da minha vida.
Obrigada Alanis
Fevereiro 3, 2009
Da arte de brincar de casinha…
Quando a gente é criança, quase sempre é divertido brincar de casinha. Fazer comidinhas fictícias em fogõezinhos de “faz-de-conta”, decorar de uma maneira divertida, varrer uma sujeira que não existe etc.
Na casinha que a gente tem quando é criança, o vaso não entope, os parasitas não invadem a cozinha, o aluguel não vence, a luz não é cara, a água não falta, o chuveiro não queima, o mofo não invade as paredes, as bolas de pó não surgem do nada, os cupins não comem a sua janela e o lixo não precisa ser levado para a lixeira de baixo do prédio.
Infelizmente, a gente cresce, a infância acaba e a gente tem que brincar de casinha de um jeito bem menos divertido. É mais aterrorizante ainda quando se mora sozinha e é preciso enfrentar por si só as pragas domésticas de todo dia.
Nas duas últimas semanas, o meu sossego (e o dinheiro também) foi levado embora por um vaso entupido e uma invasão de parasitas nojentos na cozinha. Uma cestinha que armazena detergente em barra que vai descarga abaixo é capaz de estragos nunca antes imaginados. Tanto no encanamento quanto no seu bolso. Ficam as dicas: a) nunca, em hipótese alguma, use a maldita cestinha; b) nunca chame uma empresa especializada em desentupir vasos. Eu cometi o erro b) e fali financeiramente, sem contar as horas de choro e de questionamento sobre o quê as pessoas são capazes de fazer para tirar o seu dinheiro suado se você tem cara de menina honesta. Não faça isso. Chame um amigo da família, um vizinho, o papa, seja lá quem for, mas nunca essas empresas. Mas claro que isso não vai acontecer com ninguém que lê este blog, porque você vai agora tirar a cestinha do vaso, caso a utilize.
Agora os parasitas. Bom, não tenha cereais no armário. Principalmente granola, arroz e feijão. Massa também não é bom. Aproveite para fazer um regimezinho e não compre essas coisas. Os seres “se criam” ali dentro e tomam conta de tudo que existe pela frente. E depois que eles tomarem conta, você vai precisar de horas de tempo disponível, espírito “Amélia-amo-fazer-faxina-e-dedetizar”, um Inseticida Piretróide para Desinsetização de Instalações Rurais, luvas de borracha, algo para tapar o rosto, paciência, música alta e a certeza de que se isso não der certo você vai ter que botar fogo no apartamento.
Brincar de casinha quando a gente é adulto cansa bastante e eu começo a perder a paciência.
Afff.













