Janeiro 26, 2009

Mulherzinha

Comprei um livro da Clarah Averbuck. Sempre quis ler algum livro dela. Era fã do blog nos tempos do Brasileira Preta, idos de 2002 e 2003, quando a febre entre os adolescentes era ter diários pessoais na rede. Sempre gostei do que ela escrevia. Mas como eu fui crescendo, a leitura acabou se distanciando um pouco da identificação comigo. Eu já não concordo com o “morrer de amor” sempre presente nos textos e com a entrega gigante às paixões. Mesmo assim, quando me deparei com o ‘Vida de Gato‘ por apenas R$ 5 na livraria não pude resistir, levei na hora.

Li em cerca de quatro horas. Leitura tranquila, simples e agradável. O livro conta a história da Camila que é loucamente apaixonada pelo Antônio, seu namorado que acaba de lhe dar um pé na bunda. Depois de chorar e sofrer profundamente, um belo dia a Camila encontra Antônio e sua nova namoradinha, a Aurora, em um bar. E aí vem a parte do livro que eu achei fundamental. A descrição que a Camila faz da Aurora é perfeita. E do Antônio também.

Aurora por Camila:

“Uma loira nanica. Rosada. Com cara de estudante de enfermagem, parecida com um porquinho de pelúcia. Fofa. Super fofa. Querida e fofa e com cara de burra.”

Depois disso vem o diálogo da Camila e do Antônio:

” – Você não entende. Eu preciso de uma mulherzinha.

A explosão, a radiação espalhando-se e o pânico das pessoas correndo sabendo que não poderiam escapar. Uma mulherzinha. Ele precisava de uma mulherzinha. Um degrau, um suporte de madeira. Um peso para papel. Uma mulherzinha. Eu não era uma mulherzinha. Não, definitivamente. Jamais conseguiria ser uma mulherzinha. Sou enorme, um mulherão que transborda por todos os lados, que ofusca o que estiver por perto. Mas ele precisa de uma mulherzinha.

[...] Ele continuou.

- E você, você não merece virar uma mulherzinha. Você tem que escrever, você tem que fazer tantas coisas.

- Eu trocaria tudo para te ter ao meu lado – foi a única coisa que consegui dizer. Ele não disse nada. Continuei a linha de pensamento caindo sozinha, puxada pela gravidade – mas eu não consigo, Antônio. Não posso. Não poderia ser uma mulherzinha.”

E aí o livro me ganhou. Eu já vi isso tantas vezes. TANTAS VEZES. Tantos homens que preferem estar ao lado de mulherzinhas, pesos de papel, porque simplesmente não aturam a idéia de conviver com uma mulher independente, cheia de vida, de si, que não cabe na simples compreensão de estereótipos frágeis da sociedade pós-moderna.

Pena. Só dá para ter pena. Nada além disso. Porque eu, Camila e outras tantas, nunca nos resignaremos à condição de mulherzinhas. A gente dá conta de ser muito feliz do nosso jeito.

Janeiro 12, 2009

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda…

Um amigo me mandou esse texto do Antonio Prata. É hilário. É uma caricatura minha e dos meus amigos em vários momentos da nossa existência. E além disso é bom e divertido. Por isso, merece estar aqui. A leitura vale a pena.

“Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. “Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins, que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma p. ali mesmo.

Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.

Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se f., porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil!

Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).

- Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?”

Janeiro 10, 2009

We’ll finally meet

Eu sou fã de Alanis Morissette desde 1996 quando ganhei o Jagged Little Pill. Quem me conhece sabe. Não sou fã daquelas cegas que admira tudo que  o ídolo faz. Não. Sei ter um senso crítico com o trabalho da Alanis. Mas ao mesmo tempo sei entender que a trajetória dela tem muito a ver com o desenvolvimento dela como pessoa e com os problemas de relacionamento que ela enfrenta desde cedo.

No último disco, Flavors of Entanglement isso é claramente visível. O álbum sinceramente não é o meu favorito. Está longe disso. Com letras muito relacionadas ao fim do seu relacionamento com o ator Ryan Reynolds (ele trocou ela pela Scarlett Johansson), muitos samplers e coisas algumas vezes dançantes demais para o meu gosto, o disco não me agradou. E eu não fui a única. O álbum vendeu pouco mais de 800 mil cópias no mundo todo e antes de emplacar uma turnê solo a Alanis precisou sair em viagem com Matchbox 20. Pra piorar (como se já não fosse o bastante), ela está muitosss quilos mais gorda, evidenciando os problemas pessoais enfrentados ao longo da produção do disco.

Minha coleção da AlanisMesmo assim, nada me deixa mais feliz do que a idéia de que eu vou ver a Alanis, ao vivo, pela primeira vez. Desde 1996 eu sonho com isso. Antes ou eu era nova demais para ir a São Paulo para um show, ou não tinha grana suficiente. Agora ela vai estar tão perto de mim (em Porto Alegre) que eu até penso em ver o show também em Florianópolis. Só para ter certeza de que aquilo está realmente acontecendo comigo.

Eu tenho certeza de que o show vai ser perfeito. Não que isso seja apenas sentimento de fã, eu já assisti uma prévia da apresentação no Multishow. O que só me deixou ainda mais ansiosa. A Alanis não perdeu a forma com relação ao rock’n roll ao vivo. Ela sempre trata de colocar mais peso nas músicas quando está no show. Pra isso servem dois guitarristas e mais umas investidas dela nas seis cordas. Por sinal, eu considero o David Levita e o Blair Sinta que tocam com ela, simplesmente gênios.

Então é isso. Aguardem o post emocionado pós-show.

Janeiro 8, 2009

Feliz Ano Velho

I’m going through changes. Já “diria” o Ozzy Osbourne. Estamos todos. E em época de mudança de ano, a transição evidencia ainda mais as mudanças pelas quais estamos passando. Achei que a passagem de 2008 para 2009 merecia um post. Aliás, merecia muito mais do que isso, já que 2008 foi um excelente ano.

Parando para pensar, eu me dei conta da imensa quantidade de coisas que aconteceram neste ano. É tanto que não cabe em 365 dias. Alegrias, sentimentos, aprendizados, ganhos, crescimento. Coisa demais para um ano só. Se 2009 for do mesmo jeito, eu só posso ficar incrivelmente grata.

Em 2008, eu trabalhei num jornal impresso e num on-line, além de um portal de internet. Teve também um mês unindo música e rádio que foi maravilhoso. Aprendi horrores. Comecei o mestrado, aprendi mais ainda. Fui a congressos. Pensei nos meus problemas de pesquisa, nos meus objetos. Cresci profissionalmente e intelectualmente.

Em 2008, eu fiz amigos verdadeiros. Encontrei gente de tamanha luz que nunca tinha encontrado na minha vida. Amigos que eu vou levar pra sempre comigo. Eu também cultivei amigos. Soube guardar num lugar muito especial do coração aqueles que são parte de mim até hoje. Graças a eles eu sou uma pessoa melhor, mais completa e mais feliz.

Em 2008, eu mudei de cidade e de vida. Comecei a morar sozinha e enfrentar todas as responsabilidades que isto implica. Vim morar na Capital e me apaixonei por este Porto que agora é sempre Alegre. Aprendi que morar sozinha não é sinônimo de solidão e muito menos de viver solitário. Comecei a me exercitar e tomei gosto pela coisa (um dia ainda corro a São Silvestre). Deixei para trás o lugar onde eu nasci e vivi a maior parte da minha vida. Mas descobri que retornar pode ser uma ótima idéia quando se busca refúgio.

Em 2008, coisas chatas também aconteceram. Mas também em função delas eu aprendi muito. Em função desse aprendizado, estou no movimento Exu bom é Exu de 2008 (piada interna). Ou seja, as coisas ruins do ano que passou que fiquem por lá mesmo e que graças a elas eu não repita os mesmos erros em 2009.

Feliz Ano Velho para todo mundo.

Espero postar mais em 2009 (resolução hehehe).

Novembro 26, 2008

Sobre ser inteligente…ou não

Eu até hoje não sei dizer se as pessoas nascem inteligentes ou tornam-se ao longo da vida. Confesso que estou mais para a primeira opção, numa visão bem darwinista da vida. É que tem tanta gente que tem todas as oportunidades na vida e ainda assim não consegue desenvolver uma frase que faça valer a pena cinco minutos de conversa. Por outro lado, tem gente que tinha tudo para viver na ignorância e ao contrário é extremamente perspicaz em cada uso dos seus neurônios.

Aliás tá aí uma coisa que eu não suporto nessa vida: ignorância. Não confundam com burrice. Os burros e esforçados eu perdôo, entendo, compreendo e ajudo. Mas os ignorantes, aqueles que ignoram o bom senso, a inteligência e o desenvolvimento do intelecto, esses simplesmente me dão nos nervos.

Hoje, em mais uma terça-feira de agradável almoço no RU da UFRGS, discutiamos a inteligência. Na verdade falámos sobre a rara ocorrência de beleza e inteligência na mesma pessoa, mas não é essa a discussão aqui. O ponto legal da conversa foi quando falávamos sobre alguns aspectos específicos da inteligência. E aqui eu acredito que a gente tinha que ter trocado a palavra inteligência por erudição, que se aplica melhor a nossa discussão. Eu explico.

Falávamos sobre como a erudição precisa fugir de certas limitações. Por exemplo, saber tudo sobre a trajetória da luz em forma de onda, mas desconhecer Beatles. Tudo bem, tem gente que não se interessa por música. Mas o mesmo exemplo pode ser aplicado a filmes, livros, arte etc.

O que eu quero dizer com tudo isso, é que às vezes a gente precisa ampliar os nossos horizontes. Enxergar o mundo um pouco além do nosso pequeno território. Perder preconceitos. Experimentar. Aprender e conseqüentemente ampliar o nosso conhecimento. Nem que seja para voltar e dizer que não gostou. Afinal não gostar sem conhecer é péssimo.

Alguns profissionais precisam abrir as portas dos seus locais de trabalho, das suas casas, dos seus automóveis e entender que nem sempre dominar a produção de alguma tecnologia é suficiente para abarcar uma pah de conhecimento de mundo que faz o ser humano crescer como pessoa.

Sim. Mais um post da série de filosofias malucas da minha cabeça.

Novembro 12, 2008

Cidade maravilhosa

Cheia de encantos mil… não… não falo do Rio de Janeiro… falo de São Paulo…

Me pergunto se há lugar neste país onde eu queira tanto morar. Ahhh cidade maravilhosa….

Estou em Sampa, especialmente para o II Simpósio da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura. Vim para apresentar um trabalho. Mas curtir a cidade está sendo especialmente divertido. Conhecer pessoas legais no congresso também. E dividir o quarto com a Aline e a Sandra é algo que a gente deveria repetir em todos os próximos congressos. Garantia de risos e diversão certa.

Novembro 8, 2008

Thank you Michael Stipe

Meu amigo Jamer disse que a parte chata de ver um show que foi realmente muito bom é sair dele e se dar conta de que a vida continua exatamente do mesmo jeito que estava.

Eu com a minha visão “Foucaultiana” acerca das experiências que temos em vida sou obrigada a discordar. Uma experiência é aquilo do qual saímos transformados. Experiência não é sinônimo de vivência. Há um processo de mudança e transformação de conceitos envolvido neste aspecto da vida.

O show do R.E.M foi exatamente isso. Saí de lá transformada.

Tudo bem que eu tenho mania de viver sempre com intensidade tudo que acontece na minha vida. “You know me, I’m impulsive” (Eternal Sunshine of the Spotless Mind). Mas o show foi realmente algo transformador.

A banda conseguiu reunir músicas excelentes do último álbum “Supernatural Superserious” com os maiores clássicos do grupo. Quem não conhecia nada além dos “hits” foi presenteado com um bis de Everybody Hurts e Loosing My Religion. Quem conhecia um pouco mais foi presenteado com “Man on the moon”, “Orange Crush”, “Imitation of Live”, “Find the river” e “The one I love”.

Um show do rock, com uma banda de rock e um vocalista de rock.

Só me resta dizer: thank you Michael Stipe.

Outubro 8, 2008

Pra que dormir… fingir que descansou

Faz semanas que não sei o que são oito horas de sono…

Hoje tomei quase dois litros de café e passei o dia me arrastando…

Anyway… amanhã nada disso importa… o que importa é que eu vou ver o Chris Anderson!!!!

Uhulll! \o/ _o/ \o_ \o/

Outubro 2, 2008

Spring time…

Ahhhhh a primavera…

Os passarinhos cantam, as árvores florescem, o perfume das flores inunda a cidade…

Os dias ficam mais bonitos…

O frio vai embora…

E você se dá conta de que o ano está acabando e está completamente F*&#¨#%$&@ com prazos mais do que atrasados e mil coisas que ainda restam para ser feitas…

365 dias não são o bastante…

Outubro 2, 2008

Caos…

O retrato fiel de Stefanie Silveira nos últimos 15 dias…

O final do vídeo retrata a forma como imagino que estarei na segunda-feira, pós plantão de eleições…