Comprei um livro da Clarah Averbuck. Sempre quis ler algum livro dela. Era fã do blog nos tempos do Brasileira Preta, idos de 2002 e 2003, quando a febre entre os adolescentes era ter diários pessoais na rede. Sempre gostei do que ela escrevia. Mas como eu fui crescendo, a leitura acabou se distanciando um pouco da identificação comigo. Eu já não concordo com o “morrer de amor” sempre presente nos textos e com a entrega gigante às paixões. Mesmo assim, quando me deparei com o ‘Vida de Gato‘ por apenas R$ 5 na livraria não pude resistir, levei na hora.
Li em cerca de quatro horas. Leitura tranquila, simples e agradável. O livro conta a história da Camila que é loucamente apaixonada pelo Antônio, seu namorado que acaba de lhe dar um pé na bunda. Depois de chorar e sofrer profundamente, um belo dia a Camila encontra Antônio e sua nova namoradinha, a Aurora, em um bar. E aí vem a parte do livro que eu achei fundamental. A descrição que a Camila faz da Aurora é perfeita. E do Antônio também.
Aurora por Camila:
“Uma loira nanica. Rosada. Com cara de estudante de enfermagem, parecida com um porquinho de pelúcia. Fofa. Super fofa. Querida e fofa e com cara de burra.”
Depois disso vem o diálogo da Camila e do Antônio:
” – Você não entende. Eu preciso de uma mulherzinha.
A explosão, a radiação espalhando-se e o pânico das pessoas correndo sabendo que não poderiam escapar. Uma mulherzinha. Ele precisava de uma mulherzinha. Um degrau, um suporte de madeira. Um peso para papel. Uma mulherzinha. Eu não era uma mulherzinha. Não, definitivamente. Jamais conseguiria ser uma mulherzinha. Sou enorme, um mulherão que transborda por todos os lados, que ofusca o que estiver por perto. Mas ele precisa de uma mulherzinha.
[...] Ele continuou.
- E você, você não merece virar uma mulherzinha. Você tem que escrever, você tem que fazer tantas coisas.
- Eu trocaria tudo para te ter ao meu lado – foi a única coisa que consegui dizer. Ele não disse nada. Continuei a linha de pensamento caindo sozinha, puxada pela gravidade – mas eu não consigo, Antônio. Não posso. Não poderia ser uma mulherzinha.”
E aí o livro me ganhou. Eu já vi isso tantas vezes. TANTAS VEZES. Tantos homens que preferem estar ao lado de mulherzinhas, pesos de papel, porque simplesmente não aturam a idéia de conviver com uma mulher independente, cheia de vida, de si, que não cabe na simples compreensão de estereótipos frágeis da sociedade pós-moderna.
Pena. Só dá para ter pena. Nada além disso. Porque eu, Camila e outras tantas, nunca nos resignaremos à condição de mulherzinhas. A gente dá conta de ser muito feliz do nosso jeito.

Cheia de encantos mil… não… não falo do Rio de Janeiro… falo de São Paulo…
O show do R.E.M foi exatamente isso. Saí de lá transformada.
Ahhhhh a primavera…








